Não evitam desassociados?

 
No artigo “Perguntas Frequentes” da seção “Quem Somos” do site jw.org com o título “As Testemunhas de Jeová evitam ex-membros de sua religião?”  foram encontradas algumas informações sobre o assunto, que são um tanto inusitadas. Veja o que o artigo do site oficial esclarece:

Nós não evitamos Testemunhas de Jeová batizadas que pararam de participar na pregação ou até de se associar conosco.”

A frase parece propositalmente ambígua para confundir uma pessoa comum, isto é, que não conheça os procedimentos do movimento. Aqui parece não se referir ao ‘desassociado’ * , mas, a uma testemunha de Jeová inativa, isto é, que não assiste as reuniões e não participa na pregação, porém, não está oficialmente dissociado**, mas, tenha em mente o título do artigo onde se trata da condição de ex-membros.

Provavelmente a Torre de Vigia recorreu a ambiguidade na informação devido a má publicidade que a severa punição conhecida como desassociação tem para o publico geral, pois, este publico não tem a real dimensão desta punição e suas consequências. Então qualquer pessoa concluirá que a afirmação “Nós não evitamos” seja verdadeira, e qualquer informação que soe terrível seja falsa e produzida por opositores ao movimento. O texto prossegue:

Na verdade, nós procuramos contatar essas pessoas e reavivar seu interesse pelas coisas de Deus.”

O publico geral não compreende quem seria o ‘nós procuramos contatar’, e facilmente seria induzido a concluir que o ‘nós’ é qualquer uma das testemunhas. Porém, na realidade somente os anciãos e os servos ministeriais são autorizados a fazer tal contato com uma pessoa desassociada, as demais testemunhas não podem tentar intervir para o desassociado voltar (a menos que seja um responsável legal no caso de menores de 18 anos), ou esboçar qualquer piedade. O que dizem outras publicações sobre como tratar desassociados?

Como devemos tratar uma pessoa desassociada?Nós nãonos associamos com desassociados, quer para atividades espirituais, quer sociais. A Sentinela de 15 de dezembro de 1981, página 21, disse: “Um simples ‘Oi’dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar este primeiro passo com alguém desassociado?Fonte: livro Mantenha-se no Amor de Deus (edição 2013), p. 207.

O fato é que até mesmo as testemunhas batizadas que por algum motivo pararam de se associar e não oficializaram sua dissociação, com o tempo passam a ser mal vistas por outras testemunhas e evitadas. E os oficialmente dissociados devem receber o mesmo tratamento que um desassociado, segundo o que prevê o manual “Organizados Para Fazer a Vontade de Jeová” ou od-T páginas 155-156.



Quando se trata de um Familiar Desassociado?

O site explica: “Mas e se um homem que tem uma esposa e filhos Testemunhas de Jeová é desassociado? Embora o vínculo religioso que ele tinha com a família tenha mudado, o vínculo familiar continua. O relacionamento conjugal e as afeições e os tratos familiares continuam.”

Esta segunda sentença não é ambígua e nem incompleta, mas, totalmente enganosa e é bastante conhecido que se um membro da família é desassociado ele é, na maioria dos casos, desprezado. No caso de envolver um dos cônjuges, pode gerar diversos conflitos até a dissolução do casamento. O importante é notar que em todos os casos a família é brutalmente afetada! Analise com cuidado o que esta publicação diz:

E quando o desassociado é um parente? Nesse caso, os laços achegados entre familiares podem ser um verdadeiro teste à lealdade. Como devemos tratar um parente desassociado? (...) Em alguns casos, o parente desassociado talvez faça parte da família imediata e ainda more na mesma casa. A desassociação não põe fim aos laços familiares, por isso as atividades e os tratos normais do dia a dia da famíliapodem continuar…Fonte: livro Mantenha-se no Amor de Deus (edição 2013), 208-209.

Por que um parente imediato poderia representar “um verdadeiro teste à lealdade” se conforme o site oficial diz que o “relacionamento conjugal e as afeições e os tratos familiares continuam”? E diferente do que o site afirma que “os tratos familiares continuam”, o livro mudaa condição de afirmativa para condicional dos tratos familiares, isto é, “podem continuar”. Se a orientação padrão é não evitar parentes imediatos, porque haveria espaço para um procedimento condicional? A resposta é muito simples: É fato que um parente imediato é ostracizado dentro de seu próprio lar!
Outra prova que a afirmação “relacionamento conjugal e as afeições e os tratos familiares continuam”  é conflitante e divergente com a realidade, está numperiódico interno do movimento:

Será que isso significa que os cristãos que vivem na mesma casa com um familiar desassociado devem evitar falar, comer e se associar com ele ao cuidar das atividades diárias? A Sentinela de 15 de abril de 1991, na nota da página 22, diz: “Se numa família cristã houver um parente desassociado, essa pessoa ainda poderá participar dos procedimentos e das atividades normais e cotidianos da família.” Assim, fica por conta dos membros da família decidir até que ponto o parente desassociado precisa ser incluído quando tomam as refeições ou cuidam de outras atividades domésticas. Mesmo assim, devem evitar dar a impressão aos irmãos com quem se associam de que nada mudou depois da desassociação.” Fonte: Nosso Ministério do Reinode agosto de 2002, p. 3, § 6.

Se o “relacionamento conjugal e as afeições e os tratos familiares continuam”, por que se deveria analisar a necessidade deste membro participar ou não de afazeres rotineiros e comuns como “tomar as refeições ou de outras atividades domésticas”?

Muitos estudantes da Bíblia e o público geral desconhecem que, as testemunhas são orientadas a romper todo o convívio com seus parentes imediatos e não imediatos,quer sejam seus pais ou irmãos de sangue, quer sejam cônjuges, filhos ou netos, salvo algumas situações extremas que não haveria como evitar o contato. Veja:

Em outros casos, o parente desassociado talvez não faça parte da família imediataou seja um membro da família imediata que não mora na mesma casa. Embora em raras ocasiões talvez se precise cuidar de um assunto familiar com um parente desassociado, tal contato deve restringir-se ao mínimo possível. Membros leais de uma família cristã não procuram desculpas para ter tratos com um parente desassociado que não more na mesma casa. Em vez disso, a lealdade a Jeová e à sua organização os faz seguir os princípios bíblicos relacionados com a desassociação.” Fonte: livro Mantenha-se no Amor de Deus (edição 2013), 208-209.

Para concluir, notenum exemplo real, compilado de A Sentinela que revela como é tratado de fato um membro imediato da família desassociado:

Certo jovem estava desassociado havia mais de dez anos e, durante esse período, seu pai, mãe e quatro irmãos ‘cessaram de ter convivência’ com ele. Às vezes, ele tentava se envolver nas atividades da família, mas, para crédito dela, todos os seus membros evitaram firmemente qualquer contato com ele. Já readmitido, ele disse que sentia muita falta da associação com a família, em especial à noite, quando ficava sozinho. Mas ele admitiu que, se a família tivesse se associado com ele, mesmo só um pouco, essa pequena dose o teria satisfeito. No entanto, ele não recebeu nem mesmo a menor comunicação de qualquer membro da família.” Fonte: A Sentinela de 15 de abril de 2012, p. 12, § 17.


Perguntas para uma séria reflexão:

1.: Com base nos artigos citados, e que poderá comprovar por si mesmo, como é tratado um ex-membro do movimento das testemunhas de Jeová?

2.: O artigo no site oficial das testemunhas de Jeová, foi claro e por conseguinte honesto, ao falar com franqueza sobre seus procedimentos internos?

3.: Opublico geral, que não tenha nenhum antecedente nas testemunhas de Jeová, para quem foi feito o artigo compreenderá a informação de maneira correta, tal como ela foi publicada?

4.: Não teria sido o artigoproduzidopara induzir este público a uma conclusão de um assunto que desconhecem e minimizar a conotação brutal que a desassociação possa ter?

Veja também: O artigo em questão http://goo.gl/2Jfwby; A Sentinela de 15 de dezembro de 1981, páginas 14-16, 21, 24; A Sentinela de 15 de abril de 1988, páginas 25-28; A Sentinela de 15 de novembro de 1988, na página 20.

Atenção! Poderá replicar a informação em seu site, blog ou qualquer outra mídia sem qualquer restrição, desde que você cite adequadamente que O Zigurate é sua fonte da informação.


Nota:

( * ) O termo “desassociado” significa que a testemunha de Jeová é excomungada e deixa de ser reconhecida como membro do movimento, isto é, torna-se um ex-membro.

( ** ) O termo “dissociado” significa que, uma testemunha de Jeová oficializa o desejo de não ser identificada como tal, e não se associará daquele momento em diante com a Torre de Vigia, não assistirá as reunião ou participará da pregação e de quaisquer atividades, em outras palavras, a própria pessoa se desliga do movimento. Aqui também ela se torna um ex-membro.

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